

(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
O escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deixou de ser apenas uma crise de imagem. Nesta terça-feira (19), os primeiros números pós-vazamento chegaram às urnas — e o estrago foi expressivo.
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, registrada no TSE sob o código BR-06939/2026, revelou que Flávio perdeu seis pontos percentuais nas intenções de voto em um cenário de segundo turno contra o presidente Lula (PT). O levantamento foi realizado entre os dias 13 e 18 de maio — exatamente o período em que o Intercept Brasil foi publicando, em detalhes, as mensagens e áudios trocados entre o senador e o dono do Master.
O resultado: Lula aparece com 48,9% das intenções de voto, contra 41,8% de Flávio. Em abril, a disputa era praticamente empatada — 47,5% a 47,8% em favor do filho do ex-presidente. A diferença saltou de 0,3 para 7,1 pontos percentuais em poucas semanas. No primeiro turno, o recuo foi ainda mais acentuado: Flávio caiu de 39,7% para 34,3%.
A rejeição ao senador também subiu. Passou de 49,8% para 52%, superando, pela primeira vez, a rejeição ao próprio Lula, que ficou em 50,6%.
O que os áudios revelaram
Publicadas pelo Intercept Brasil no dia 13 de maio, as mensagens mostram Flávio cobrando repasses milionários de Vorcaro para o financiamento do filme "Dark Horse", uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo os arquivos divulgados, cerca de R$ 61 milhões já teriam sido pagos ao longo de seis operações entre fevereiro e maio de 2025.
Em uma das mensagens, enviada por WhatsApp em novembro de 2025 — um dia antes de Vorcaro tentar deixar o país —, Flávio escreveu: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!" Inicialmente, o senador negou qualquer relação com o banqueiro. Depois, admitiu a parceria, mas atribuiu o silêncio a um contrato de confidencialidade.
A reação: TSE como campo de batalha
Horas após a divulgação da pesquisa, a coordenação jurídica da pré-campanha de Flávio protocolou uma representação no TSE pedindo, em caráter liminar, a suspensão do levantamento. A defesa alega que o questionário foi estruturado de forma a induzir uma percepção negativa sobre o pré-candidato, associando seu nome a Vorcaro e ao Banco Master antes de fazer as perguntas sobre intenção de voto.
"A sequência das perguntas, a forma de apresentação dos temas e o uso de associações entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master contaminam e induzem as respostas dos entrevistados, comprometendo a integridade dos resultados", diz a nota da pré-campanha. A equipe também pediu acesso aos microdados do instituto, aos sistemas internos de processamento e à cadeia de custódia do áudio utilizado.
O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, rebateu as acusações pelas redes sociais. Segundo ele, o áudio só foi exibido aos entrevistados após a conclusão de todas as perguntas eleitorais. "Não há nenhum problema metodológico", escreveu Roman no X.
O que a pesquisa revelou além das intenções de voto
O levantamento também mediu a percepção pública sobre o caso. Entre os entrevistados que disseram conhecer o vazamento — 95,6% do total —, 51,7% afirmaram ver indícios de envolvimento direto de Flávio no esquema de fraudes do Banco Master. Outros 33,3% avaliaram as mensagens como uma tentativa legítima de obter patrocínio privado para o filme. Apenas 12,1% disseram não enxergar nada além de uma relação de proximidade, sem indicativo de ilegalidade.
Por que importa: A queda de seis pontos em poucas semanas é a maior variação registrada pelo instituto na série histórica desta corrida presidencial. Com a eleição marcada para outubro e o prazo para definição de candidaturas se aproximando, o escândalo chega em um momento crítico para o campo conservador — que ainda não tem, fora de Flávio, um nome com força nacional capaz de disputar o Palácio do Planalto.
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