(Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

Belo Horizonte ocupa a 98ª posição em um ranking de saneamento básico que avaliou as 100 maiores cidades do país. Está na penúltima colocação. O dado é do Ranking do Saneamento 2026, divulgado pelo Instituto Trata Brasil, com base em dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico referentes a 2024.

O número mais alarmante é o índice de perdas de água na distribuição: 68,29%. Na prática, isso significa que mais de dois terços de toda a água captada, tratada e bombeada pela Copasa nunca chega à torneira do consumidor. Vaza por canos velhos, ligações clandestinas e falhas na infraestrutura. A média nacional é de cerca de 38% — BH é quase o dobro.

O que esse número significa no cotidiano

Para o morador de Belo Horizonte, o problema se traduz em pressão baixa, interrupções frequentes no abastecimento e, indiretamente, numa conta de água mais cara — já que o custo de tratar e bombar a água que se perde ainda é repassado à operação do sistema.

Para o estado, o dado é uma contradição: Minas Gerais tem municípios entre os melhores do país em saneamento. Uberaba aparece na 11ª posição nacional e Montes Claros na 14ª. Enquanto isso, a capital figura no fim da fila.

O contexto mais amplo

O Ranking do Saneamento 2026 avaliou quatro dimensões: abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, investimentos e perdas. As melhores posições ficaram com cidades do interior paulista — Franca alcançou a pontuação máxima, com 99,46% de atendimento de água e 98,91% de coleta e tratamento de esgoto.

No caso do esgoto, BH apresenta índice entre 73% e 75% de tratamento — um número razoável, mas que ainda deixa parcela significativa do esgoto gerado na cidade sem destino adequado. Em Juiz de Fora, a situação é ainda mais crítica: apenas cerca de 25% do esgoto recebe tratamento.

Por que importa: Saneamento básico não é pauta abstrata. Falta d'água, esgoto a céu aberto e rios poluídos têm impacto direto na saúde, na qualidade de vida e até na economia. Com eleições em outubro, o tema deve aparecer nos debates dos candidatos ao governo de Minas e às prefeituras. Cobrar respostas concretas sobre isso é direito — e responsabilidade — do eleitor mineiro.

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